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Sobre o Autor
Giorgio Galli, o Gico
Giorgio Galli, o Gico

Gico é desenhista e quadrinista, atuando no mercado há mais de 20 anos. Já participou dos maiores eventos de quadrinhos do país, e lançou duas séries de quadrinhos independentes: Salomão Ventura – Caçador de Lendas e Esquadrão Vitória, que traz uma abordagem vintage para heróis brasileiros. Atualmente trabalha na série Pop Art Heroes, para o mercado americano. Gico coordena um curso de desenho que leva seu nome desde 2011, e foi baseado na experiência adquirida em sala de aula com mais de 1000 alunos que desenvolveu esse curso.

Como desenhar qualquer coisa sem copiar

Como o MTP pode te ajudar a criar desenhos da imaginação sem o uso de referência

“Desenhar é para quem tem dom”. Já ouvi essa frase tantas vezes que em certo momento de minha vida cheguei a acreditar nela. Afinal, seria o desenho mesmo uma espécie de mágica que inundava a pessoa, fazendo com que ele ou ela conseguisse criar figuras incríveis com esforço mínimo? 

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Foi então que notei uma coisa. Meus desenhos de quando tinha uns 13 anos eram bem piores em comparação aos que eu faria aos 15. E a mesma coisa em relação aos meus desenhos com 17 anos. Mas eu tinha alguns colegas que estavam também com 17 anos e desenhavam como eu fazia aos 10… Ora, o que aconteceu então?

Simples: eu gostava de desenhar. Era uma atividade prazerosa, na qual eu despendia horas, estudando outros desenhistas, errando e apagando muitas e muitas vezes, e com isso, ia evoluindo. Claro, existia a pré-disposição física (eu sempre fui um sujeito tranquilo, gostava de passar tempo em casa, tinha uma coordenação motora fina boa… tudo isso ajuda para quem quer desenhar). Em contrapartida, meus amigos preferiam atividades como futebol (e eu sempre fui um perna de pau. Não gostava daquilo, e, logo, não treinava muito. Resultado: ainda hoje sou um pereba).

Então só a pré-disposição  física é a resposta? Não. Muita gente é tranquila, tem boa coordenação motora e não desenha nada! Como explicar isso? Novamente a resposta é simples: eles não treinaram desenho.

Desenhar não é dom, é fruto de treino e estudo

Então creio que estamos chegando em uma resposta, certo? Desenho não é dom. Desenho é um hábito que depende de treino e estudo. Muito treino e estudo. Hoje, quando vejo meus desenhos do passado (nem falo de um passado muito remoto não, coisa de 5 anos atrás) posso observar como meu traço evolui a cada novo trabalho. Resultado de mais tempo desenhando (e corrigindo desenhos dos alunos), de novos estudos (sempre compro livros técnicos e os estudo).

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Foi a partir dessa observação que desenvolvi o MTP (Método dos Três Pilares), que aplico com os alunos do curso. Usando o Método, o aluno se torna “livre” para desenhar o que quiser, de memória, sem precisar de referência… do jeito que faço nos meus quadrinhos!O MTP consite das seguintes etapas: Observação, Repetição e Internalização. Vejamos cada uma delas e sua importância no processo de aprendizagem:

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1 – Observação

Talvez uma das etapas mais ignoradas na arte de desenhar. Para desenhar sem copiar, é preciso dar dois passos atrás e aprender a olhar. Observar o objeto de estudo, seja uma pessoa na rua ou um tênis jogado no canto. Observar as relações que os objetos têm entre si. Notar as dimensões. Como a luz afeta o objeto. E transpor isso para seu desenho de forma precisa, ainda que estilizada. Não ignore a etapa da observação, jamais. 

2 – Repetição

A fase de repetição é responsável por duas coisas importantíssimas no hábito de desenhar: a formação da memória mental (o banco de imagens que o desenhista vai guardar em seu cérebro) e muscular (os movimentos que a mão e o braço que desenha terá que desempenhar). Ninguém, a não ser um gênio ou outro pontual, consegue reproduzir um desenho só fazendo uma vez. É necessário repetir, para “cravar” aquele fundamento na memória. E a cada fundamento gravado, recombinado, vamos ganhando um arsenal de formas a serem intercambiadas e trocadas, aliadas às diversas técnicas ensinadas (luz e sombra, perspectiva, escorço, etc). Um detalhe importante, no entanto, é que ninguém chega à fase da repetição com total efetividade se relevar a fase da observação. Uma está intimamente atrelada a outra.

3 – Internalização

Esse é o Nirvana do desenhista. A capacidade de desenhar qualquer coisa sem precisar de uma referência. Note, no entanto, que não se trata de demonizar o uso de referências. Pelo contrário, são muito bem-vindas e extremamente indicadas para aquela particularidade difícil de se lembrar (como é o topo do Taj Mahal? Como é o motor de uma Ferrari? Como é a inclinação de um olho oriental?). Porém, se o desenhista já internalizou uma enorme quantidade de imagens, esse trabalho de pesquisa se torna muito menor e muito mais rápido. A internalização, terceiro pilar do método, é o fruto do constante uso dos dois primeiros pilares: observação e repetição.

Me encontro atualmente no terceiro pilar, ou seja, produzo meus desenhos e mesu quadrinhos com nenhum (ou pouco) uso de referência, em casos específicos nos quais elas são necessárias. E posso notar que os alunos do curso Desenho de Super-Heróis, na Hotmart, já estão atingindo esse nível em determinado grau. Isso significa que não preciso mais treinar e estudar? De maneira nenhuma. Inclusive hoje desenho, treino e estudo MUITO mais do que fazia há, digamos, 5 anos atrás. Porque é uma atividade prazerosa. Porque sinto satisfação ao notar minha evolução. E porque desenhar sem copiar é bom demais!

Se quiser saber mais sobre o MTP e sobre o curso Desenho de Super-Heróis na Hotmart, e também ganhar sua independência artística, visite o site do curso!

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Sobre o Autor
Giorgio Galli, o Gico
Giorgio Galli, o Gico

Gico é desenhista e quadrinista, atuando no mercado há mais de 20 anos. Já participou dos maiores eventos de quadrinhos do país, e lançou duas séries de quadrinhos independentes: Salomão Ventura – Caçador de Lendas e Esquadrão Vitória, que traz uma abordagem vintage para heróis brasileiros. Atualmente trabalha na série Pop Art Heroes, para o mercado americano. Gico coordena um curso de desenho que leva seu nome desde 2011, e foi baseado na experiência adquirida em sala de aula com mais de 1000 alunos que desenvolveu esse curso.